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José Rodrigues dos Santos:
"Um político mente, porque o povo pede esperança.."


Sílvia dos Santos esteve à conversa com um dos escritores mais controversos da nossa geração, desde José Saramago.
José Rodrigues dos Santos revelou-nos que este romance, de ficção, só tem 20%, porque os restantes 80% tratam de um assunto que nos interessa a todos, um assunto muito sério que tanto tem de antigo como atual. O jornalista, nascido em Moçambique (1964), iniciou a sua carreira em 1961 na Rádio Macau com apenas 17 anos de idade, e que atualmente apresenta o Telejornal na RTP, não permitiu que os protocolos que existem na área do jornalismo comprometessem o trabalho da sua outra identidade. José, considera que o escritor em si e livre para escrever sobre o que quer e da forma que lhe apetece como se de um escape se tratasse. Mas José, considera que tinha de escrever sobre este assunto tão circunspecto que está em todas as bancas de jornais e na boca do povo, ainda que em forma de romance e fazendo-se acompanhar pela personagem de outros romances", Tomás Noronha, numa tentativa de apelar aos leitores que já se possam sentir cansados das palavras e frases da ordem do dia:
"Austeridade": "Dividas contraídas ao longo dos anos", "Troika', "Aumento do IVA, dos bens essenciais (pão, etc.)": "Desemprego", Daí que José tenha optado por escrever um livro que discuta sobre o que está nas entrelinhas e que muitos falam e poucos dizem do que realmente se trata, a verdade dos números, a ausência de riqueza no pais, as verdadeiras razões pelas quais nos encontramos neste 'buraco' do qual parece que nunca iremos sair".

Rodrigues dos Santos acredita no entanto que a longo prazo o país possa seguir em franca recuperação, até porque ele tem duas filhas, e como pai e também como cidadão sente que é possível acreditar numa melhoria, e uma das soluções que ele menciona e Portugal baixar o Imposto Rendimento Coletivo (IRC) para os 10%. E tanto ao quanto ele sabe, essa medida já está a ser discutida para entrar em vigor, mas não pode afirmar com toda a certeza. Porque considera que os grandes empresários a nível internacional entendem a sigla IRC, que é uma sigla universal, e estes tendo conhecimento que Portugal baixou para os 10%, pode ser que se sintam tentados a investir no nosso país e possamos seguir num caminho de progressão e prosperidade, porque riqueza gera riqueza, e José baseou-se na profunda investigação que se propôs a elaborar, fazendo a conjugação de "anotações que advinham de conversas com profissionais nas mais diversas áreas, desde a área bancária à área jurídica, passando por entrevistas a pessoas que se encontram desempregadas", e leu muitos artigos, fazendo uma busca exaustiva da informação mais aprimorada, e acima de tudo verdadeira da atual conjuntura. José não escreveu este livro, que já é um sucesso de bilheteira, de animo leve, disse-nos de forma veemente. O escritor e jornalista afirma: "Toda a informação histórica, financeira, e económica incluída neste romance é verdadeira."

José com este "A Mão do Diabo" facilita-nos a compreensão de todo este cenário caótico em que todos nos encontramos, sublinhe-se: nós portugueses e todos os cidadãos europeus, porque esta crise sendo mundial, é essencialmente europeia. Este décimo romance de José Rodrigues dos Santos pode ser visto como um manual de instruções de como desmistificar, ou despojar a crise tal como a conhecemos.

Na apresentação do livro "A Mão do Diabo no Porto, na passada sexta-feira, José Rodrigues dos Santos corroborou de forma muito simples e fácil de se entender, toda a sua teoria com alguns gráficos expostos no local, dos quais ele fornecia uma informação clara sobre "a frieza dos números" apoiando-se numa conversa rudimentar e muito natural que teve com o público que assistia à apresentação, e com uns laivos de humor citou a forma caricata de como alguns portugueses se referem à Chanceler alemã, Ângela Merkel: "A gorda... a gorda alemã".
Sabemos que José sempre que escreve um livro, conta sempre com a opinião de sua esposa (Florbela Cardoso), e pode-se dizer sua companheira nestas 'aventuras romancistas', uma vez que é professora de profissão a opinião de Florbela torna-se ainda mais pertinente. Estão casados desde 1988, dessa união nasceram a Catarina e a Inês. Como o próprio escritor imputou em jeito de dedicatória numa das primeiras folhas do livro: "As minhas três diabinhas, Florbela, Catarina e Inês".
"O euro como nós o conhecemos vai mudar..."; "Os números são frios... Um politico sabe que se falar a verdade perde votos e não é eleito, então mente porque o povo pede esperança...";

Relatamos aqui que aquando da conversa que Sílvia dos Santos teve com o escritor José Rodrigues dos Santos, soubemos a notícia de última hora através dos media, que 27 Estados Membros da União Europeia não tinham chegado a acordo sobre o orçamento para 2014-2020, e questionamos-lhe se se sentia satisfeito com o livro, se não pretendia escrever mais tarde, outro livro abordando os mesmos temas ("crise' e 'corrupção"), pelo simples facto da economia ser algo que está em permanente mutação, ao que José nos confidenciou: "Sinto que com este livro, que é um livro 'pesado', fechei o capitulo do tema 'crise', as pessoas que lerem "A Mão do Diabo" vão ficar finalmente esclarecidas acerca deste assunto. Muitas vezes comparado pelos críticos, a Dan Brown, e com este livro 'A Mão do Diabo' foi considerado "melhor que o Dan Brown", quem o diz é o holandês Tros Nieuwsshow, afirmação que esta destacada na parte de trás do livro como podem constatar.
Como o próprio subtítulo ("A verdade oculta sobre a crise") do décimo livro editado de José Rodrigues dos Santos, "A Mão do Diabo" sugere, vivemos numa sociedade 'cega' que não vê a verdade por detrás dos discursos da classe politica do nosso pais, como o próprio José nos declarou: "Quem personifica aqui neste livro ficcional mas muito realista, o Diabo, são os políticos, são esses que nos 'atiram areia para os olhos' com mentiras, não permitindo ao povo perceber que a curto e a médio prazo esta situação constrangedora pela qual o pais atravessa não vai melhorar, porque ninguém quer investir num pais que tem o 'bolso roto'..."
O autor ainda nos confidenciou que aprecia iniciar a sua escrita logo pela matina, e como tem uma agenda muito assoberbada não diz 'Não' as novas tecnologias, uma vez que o mundo tecnológico vai evoluindo ele admite que tem de se adaptar à nova realidade, muitas vezes aproveita e utiliza o seu portátil, e telemóvel nas viagens longas que faz devido à promoção dos livros, e não só, também quando vai receber distinções a nível internacional em consequência do sucesso que os seus livros fazem, como podem ratificar no último artigo que Sílvia dos Santos fez sobre José Rodrigues dos Santos.

Podíamos alongar este artigo e falar sobre os números de vendas que são dignos de se referir, mas resumindo, apenas garantimos que José Rodrigues dos Santos tanto a nível nacional como a nível internacional é muito respeitado pela crítica literária e crítica popular. Deixemos os números falarem por si, tudo ou seja, todos os projetos em que José Rodrigues dos Santos participa enquanto jornalista e/ou escritor transforma-se em ouro', pode-se dizer que tem o famoso toque de Midas.

Pois bem, as criticas ao mais recente romance de José Rodrigues dos Santos A Mão do Diabo' vem de todas as partes do mundo: "O português Dos Santos escreveu de facto um grande romance. - Bild am Sonntag. Alemanha; "Para ler com prazer - El Correo Gallego. Espanha: "Com uma escrita clara e escorreita, mantém o leitor colado a história." - Corriere della Sera, Itália: "José Rodrigues dos Santos fascina e informa, ao mesmo tempo que entretém.' - Shelf Awareness, Estados Unidos: "Um estilo literário prodigiosamente poético e melódico." - Literaturzirkel Belletristik, Alemanha "No processo de escrita de "A Mão do Diabo" nunca me arrependi de o estar a escrever, alguém tinha de expor a verdade, a realidade que se esconde no mundo ilusório, enganoso que existe na política, e na área financeira, a corrupção que todos ou quase todos sabem que existe mas da qual ninguém fala abertamente de forma explicita, de forma a que todos entendam, alguém tinha de escrever sobre tudo isto que nos interessa a todos nós. Agora a próxima etapa e outra, pretendo que o meu próximo romance seja diferente e um pouco menos extenuante."

Finda esta linha de pensamento sobre "A Mão do Diabo", a Sílvia dos Santos termina com uma frase de Oscar Wilde que o autor achou apropriada ao tema, optando por colocar no início do livro: "Nós somos o nosso próprio diabo e fazemos deste mundo o nosso inferno."

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Hora da Liberdade

 

25 de Abril 1974

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Em 1999, foi lançado um filme em formato documental, que retrata os acontecimentos de 25 de Abril de 1974, com alguns detalhes interessantes, através do meu prisma, pude constatar alguns pormenores que eu desconhecia, tais como: a extrema coragem e união que foi crucial para que este ‘golpe militar’ fosse efetuado com sucesso, pois pelo que sei já havia sido tentado antes, mas não terá sido eficiente nem tão pouco eficaz.


Contudo, esta ação de ordem militar, orquestrada pelos capitães (que participaram na Guerra Colonial), mais tarde conhecidos por «Capitães de Abril», e com a ajuda fulcral dos Oficiais milicianos, foi extremamente bem-sucedida. Um documentário de Emídio Rangel, Rodrigo Sousa e Castro e Joana Pontes, cujo foi transmitido no canal generalista SIC, que contou com um naipe de luxo de atores, e que nos transporta de imediato para aquela madrugada do dia D, o dia da Liberdade, o dia que Portugal não esquece.
Numa altura em que a palavra de honra era de facto honrada, a comunicação entre rádios e imprensa no geral e o movimento militar foi determinante para o êxito da tão afamada Revolução militar, a revolução dos cravos, e nesse dia em que a liberdade reinou, foram necessárias duas senhas transmitidas através da Rádio Clube Português (canções “E depois do adeus” de Paulo de Carvalho e “Grândola Vila Morena” José Afonso;
a primeira canção serviu de aviso para a preparação e a segunda canção teve o propósito para que as tropas após se prepararem, começassem a sair de forma ordeira até aos locais estrategicamente destacados para dar início à dita Revolução) e uma absoluta comunhão entre estes agentes principais (imprensa, e militares) foi fundamental para a ação revolucionária em curso.
O filme foi muito informativo, com uma fotografia fiel à fotografia da época (1974), tendo sido utilizadas imagens reais (vídeos) dos momentos decisivos, e na minha ótica foi emocionante testemunhar na primeira pessoa, ainda que através de vídeo, esses momentos de coragem e união, pois até aqui eu só ouvia falar
e li um artigo ou outro aqui e ali acerca do assunto, mas sempre de forma muito esporádica.
 

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PARA MIM VIVER EM DEMOCRACIA É...

 

 

(palavra proveniente do grego demokratía, -as, governo do povo): 1. Governo em que o povo exerce a soberania, direta ou indiretamente. | 2. Partido democrático. | 3. O povo (em oposição a aristocracia). Se nos livros de Filosofia, fala-se que a Liberdade é a autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional; e que a Democracia é um regime político em que todos os cidadãos elegíveis participam de forma igual; também é referido nesses mesmos livros que democracia é considerada uma desambiguação, a dissipação da dúvida ou incerteza. Onde é que estas duas definições se cruzam? Talvez na autonomia e no ato de participar em algo de forma igual de forma autónoma e espontânea, a liberdade e a democracia caminham de mãos dadas, nem sempre em concordância, também é verdade, mas ambas cooperam uma com a outra. Será que em pleno século XXI se vive de acordo com as expectativas ‘democráticas’ daqueles que viveram no século XX? Há quem considere que não. Senão vejamos, em democracia vive-se e governa-se segundo as regras estipuladas na nossa Constituição, e por esse mesmo prisma, algumas pessoas são da opinião intrínseca que se vive uma democracia ou liberdade limitada. Mas limitada ou não, a segurança que a democracia nos traz é de alguma forma temperante. Eu não gosto de viver na incerteza, e não me apraz o caos!!! Por conseguinte viver em democracia traduz-se em… viver em paz!!! Para mim “viver em paz” não tem preço. Cada um de nós tem direito à sua autonomia na hora de decidir algo, ou de votar, respeitando as regras estipuladas, mas gosto particularmente do facto de participarmos todos de forma igual em algo ‘pequeno’ ou ‘maior’ do que nós. É como se de um trabalho de grupo se tratasse, em que todos partilham as suas ideias e onde todas as opiniões podem ser válidas e muitas vezes o são; um ‘trabalho de grupo’ onde todos se respeitam mutuamente, participando ativamente e de uma forma similar.


Se eu fosse resumir como é viver em democracia, eu diria que é como se eu vivesse em constante tertúlia de ideias e regras e onde ser civilizado e agir de forma civilizada deveria ser nato em todos nós.

 

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LIBERDADE & RESPONSABILIDADE

 

 

O assunto “Liberdade de expressão” por vezes suscita-me algumas dúvidas; Concordo que na área do jornalismo, esteja inerente a liberdade de expressão e os jornais serem o veículo de informação para o país e o mundo. Mas por vezes, eu noto que alguns jornais abusam da dita ‘liberdade’, ou seja, eles (estes) esquecem-se da responsabilidade e da ética que a profissão exige, e numa notícia acrescentam um ponto , uma vírgula, um facto novo, mesmo sem a investigação adequada (correta) sobre o acontecimento, por vezes com o intuito de terem aquele ‘furo jornalístico’ e assim serem os primeiros a dar a notícia ao público, e repito: sem a investigação apropriada, e por norma a rapidez é inimiga da perfeição.
Pergunto-me por vezes, onde começa a responsabilidade e onde termina a liberdade?! Ou então, onde começa a ética e onde acaba o abuso da liberdade de expressão?! Porém, há jornais e ‘jornais’, há o jornalismo sério e depois há também o jornalismo especulativo. Um, encara a responsabilidade de informar corretamente, e o ‘outro’ abusa da liberdade de expressão (com a finalidade de vender mais jornais nas bancas). Cabe ao público saber discernir qual é qual; e de onde este deve beber a informação veiculada (apresentada) a este.
Cada pessoa tem o livre arbítrio de consumir o tipo de jornalismo que preferir, mas de igual forma tem a responsabilidade de não distribuir a sua ‘verdade’ como sendo a única verdade disponível; têm de saber aceitar o facto de que existem dois lados, duas versões de cada história. Para podermos viver civilizadamente, em comunhão uns com os outros, e tentar não julgar ninguém, e aceitar a opinião alheia. Cabe à classe jornalística ter brio e ética profissional, para facilitar esse civismo e comunhão entre nós.
Eu, quando vejo a notícia acerca do nosso Ex-Primeiro-Ministro José Sócrates, no caso mediático “Marquês, assumo o ponto de vista que houve um abuso de privacidade, ao serem reveladas escutas (algumas certamente desnecessárias), a perseguição a ele e aos seus familiares e amigos; entretanto toda a especulação em redor do caso, eu tenho toda a liberdade de pensar e expressar a minha opinião consoante a minha avaliação do caso. Há muito ruido em torno desse caso, e a minha responsabilidade como cidadã é ter dúvidas, ser crente em relação a algumas coisas, e ser cética também. Mas fico chocada com a atitude lamentável de algumas pessoas que optam por ir ao local de residência, com toda a liberdade de se manifestarem, não contesto isso, mas daí acharem que podem insultar e ofender o próprio José Sócrates e os seus entes queridos, eu achei que o julgaram em plena praça pública, e na minha opinião, tem de haver a responsabilidade de ter a perfeita noção de que até que provem em contrário, a pessoa (o arguido) é inocente.
Acredito que o ser-humano seja livre de se manifestar pelos seus direitos (direito de ganhar mais dinheiro; direito a melhores condições de trabalho, etc…;), mas têm de ter o espírito de responsabilidade para com o próximo, e muitas vezes é aí que se julga em praça pública, sem se conhecer todos os factos.
Tenho a sensação de que ultimamente ‘condena-se’ o mensageiro e quem vendeu a arma para o assassino cometer o homicídio, e se o assassino tinha o costume de dizer: “Bom dia” / ”boa tarde”; este já era considerado boa pessoa, incapaz de cometer um acto horrendo.
A história é só uma, e apenas uma; contudo, após percorrer os ouvidos e boca de muitas pessoas, transforma-se em duas (ou mais) histórias diferentes. Alguém no outro dia, disse que eu disse algo, que eu francamente não me recordo de dizer, e essa pessoa tem a liberdade de achar o que quiser de mim, mas o problema é que esta pessoa teve a enorme irresponsabilidade de dizer o que achava de mim e assim criou histórias acerca de mim, usando o meu nome, e sem eu estar presente, retirando-me assim a opção de defesa. Ela não gosta de mim, e eu não gosto dela, e isso é um ponto assente; mas isso não lhe dá o direito de usurpar o meu bom nome e boa reputação, e sem me dar a oportunidade de me defender.
Resumindo e concluindo, se todos nós soubermos onde cabem os parâmetros da nossa liberdade e da nossa responsabilidade, todos nós viveríamos num estado de pacatez absoluta, e em comunhão com o nosso livre arbítrio. 

 

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CENSURA

 


A censura, como muitos possam pensar, não começou com Salazar (O salazarismo foi um regime ditatorial que existiu em Portugal entre 1933); se olharmos com olhos de ver para a História do nosso país, a censura teve início com a Inquisição (sobre a qual vos explicarei mais adiante no texto).
Cardeal D. Henrique, no Paço Episcopal de Castelo Branco, foi o grande impulsionador da censura inquisitorial em Portugal.
Papa Gregório XI, que instituiu a Censura do Ordinário (da responsabilidade dos bispos) em Portugal, a pedido de D. Fernando.
Dom Sebastião legislou um conjunto de sanções bastante severas para quem ousasse infringir as leis da censura.
O promotor do primeiro Índex (O Index Librorum Prohibitorum, em tradução livre o Índice dos Livros Proibidos) romano, inspirado, em parte, no que se fazia em matéria de censura, em Portugal, foi Paulo V, papa conhecido pela sua severidade.
O Marquês de Pombal unificou o processo de censura das publicações de livros sob a autoridade do Estado ao constituir um único tribunal. E desta feita, quando se pensava que se poderia minimizar ou até dissipar a censura inquisitorial, foi exatamente o oposto, acentuou-se ainda mais a censura; o impensável aconteceu, a censura eclesiástica e a censura civil uniram-se, e quiçá até se misturaram, e ainda se confundiram uma com a outra, a dada altura. Instalou-se a confusão na mente dos portugueses, que tiveram de permanecer no ‘silêncio’, ou seja, silenciaram suas mentes livres, sentiram os seus pensamentos a acumularem-se, e sem uma porta de saída, com as suas bocas fechadas. O sistema censório existiu em Portugal, pelo menos até ao dia da Liberdade finalmente acontecer em 1974.
Saiba ainda que a Moda feminina no Estado Novo (Portugal teve um período de sua história chamado de Estado Novo. Trata-se do regime que vigorou no país entre 1933 e 1974), e a relação da Moda e da Política nos anos sessenta em Portugal, entendamos que o nosso país estava isolado e o que se passava no resto do mundo mal chegava cá. Um país a preto e branco, no estado de espírito e até na roupa.

 

 

 

 

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DIREITOS HUMANOS

 

O filme «O rapaz de pijama às riscas» do realizador Mark Herman, passa-se aquando a Segunda Guerra Mundial, e conta a história dramática e deveras sarcástica, de um agente nazi, promovido a Comandante, foi destacado para morar numa casa nos arredores de Auschwitz, e levou consigo a sua esposa e os seus dois filhos, para o início de uma vida nova. Dos dois filhos, desse casal alemão, destaca-se o filho de oito anos, Bruno. Como todas as crianças o são, ou pelo menos a maioria o é, Bruno é um menino muito curioso e criativo, com uma imaginação muito fértil, e a história centra-se nele. Sendo Auschwitz uma região despovoada, o pequeno Bruno, que se sente aborrecido com a extrema pacatez da nova região onde vive com a sua família, decide aventurar-se e começa a explorar as redondezas, tornando-se assim amigo de Shmuel, que tinha 9 anos, e daí nasceu uma bela amizade. Shmuel vivia do outro lado de uma vedação de arame farpado e usava um pijama de riscas brancas, o que deixava Bruno muito curioso em relação a essa realidade desse novo amigo e à medida que se foram aproximando, Bruno ficava ainda mais curioso e essa aproximação com Shmuel tornou-se perigosa. Não vou aqui fazer uma sinopse completa do filme, e vou só dizer que o filme retrata a época Nazi com toda a crueldade que essa época acarreta na nossa memória e todo o filme foca-se na inocência de duas crianças e a ironia do fim das suas vidas tão curtas. Abordando a questão inerente a este filme, acerca dos Direitos Humanos que na época Nazi foram absolutamente desrespeitados, totalmente ignorados de uma forma claramente vil e cruel. Onde é que podemos comparar esta época Nazi com o tráfico humano, que por conseguinte está em contagem crescente, mais à frente abordarei os dados e estatísticas acerca de tráfico humano que é uma violação claríssima dos direitos humanos. Na época Nazi, Adolf Hitler era o ‘cabeça de cartaz’ que vendia uma ideia muito romântica de viver numa bolha social” e isto significa que quando nos isolamos em um ciclo social o qual todos possuem o mesmo comportamento, o mesmo estilo de vida, as mesmas opiniões e as mesmas crenças. Daí os judeus não pertencerem à ideologia da ‘bolha social’ em que os alemães viviam ou desejariam viver, e Adolf Hitler vendeu bem essa ideia de ‘bolha social’. O mais sarcástico disto tudo é que o próprio Hitler era judeu, mas isso dava ‘pano para mangas’ e eu nem vou por aí; porque o assunto que quero referir com este texto, é uma possível comparação entre a realidade desesperante que o povo judeu vivenciou na fatídica época Nazi, e a realidade que se vive nos dias de hoje, com o tráfico humano, que se tornou um negócio extremamente rentável. Tal como os judeus acreditaram em promessas de uma vida melhor, um emprego, melhores condições de vida, enfim uma mudança de vida para melhor, foram ingénuos e foram encaminhados assim para a morte, foram escravizados, explorados a um nível desumano, desprovidos de qualquer qualidade de vida e desprovidos de quaisquer direitos, foram assassinados. E sempre que vemos um documentário sobre esta parte da história ou um filme como o «O rapaz de pijama às riscas», queremos esquecer que isto aconteceu, mas aconteceu de facto, e ainda está a acontecer atualmente, com umas diferenças, mas não muitas, porque vejamos, de acordo com umnovo relatório da ONU é pintado um quadro sombrio das milhões de pessoas que estão a ser traficadas para exploração sexual e trabalho forçado. Essas pessoas tal como os judeus na época Nazi, também estão a ir para vários pontos do país e pontos do mundo, com a ingenuidade de que vão ter melhores condições de vida e de trabalho, e foram exploradas e desprovidas de quaisquer direitos e escravizadas a um ponto desumano, e algumas consequentemente pereceram no exercício das funções que foram obrigadas a exercer. O Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), que lançou o relatório na sede da ONU, disse que as vítimas trabalhavam em restaurantes, na pesca, e em casas de prostituição, fazendas (Brasil) e ‘casas de família’ em todo o mundo. Estas vítimas vêm de pelo menos 136 nacionalidades, e têm sido detetados em 118 países a maioria das vítimas são mulheres, apesar de o número de crianças estar a aumentar. O relatório disse que o tráfico para exploração sexual foi responsável por 58 por cento dos casos de tráfico e trabalho forçado duplicou nos últimos anos, para 36 por cento.
Em geral, os traficantes eram cidadãos do sexo masculino do país em que operavam, mas mais mulheres e estrangeiros estavam envolvidos do que na maioria dos outros crimes.
"Este crime global gera bilhões de dólares em lucros para os traficantes", afirma Yury Fedotov, diretor executivo da agência com sede em Viena, no prefácio do relatório.
"A Organização Internacional do Trabalho estima que 20,9 milhões de pessoas são vítimas de trabalho forçado no mundo, um número que inclui as vítimas de tráfico de seres humanos para fins de exploração laboral e sexual" disse ele.
Segundo o relatório, o tráfico para fins de exploração sexual é mais comum na Europa, Ásia Central e nas Américas, enquanto o tráfico para trabalho forçado é mais frequentemente encontrada na África, no Médio Oriente, e a sul e leste da Ásia, e do Pacífico. As mulheres representam 55 a 60 por cento de todas as vítimas de tráfico detetado globalmente, e as mulheres e meninas num grupo só, representam cerca de 75 por cento.
Uma tendência preocupante é o aumento aparente no tráfico de crianças, com o percentual de vítimas detetadas com o aumento de 20 por cento entre 2003 e 2006, para cerca de 27 por cento entre 2007 e 2010, segundo diz o mesmo relatório. Entre as crianças vítimas detetadas, disse, duas em cada três crianças traficadas, eram meninas. O relatório disse que a deteção de outras formas de tráfico continuam relativamente raros. O tráfico para remoção de órgãos, embora compreendendo apenas 0,2 por cento dos casos detetados em 2010, foi relatado por 16 países, disse.
Tráfico para outros fins, incluindo o ato de mendigar, e o casamento forçado, e adoção ilegal, participação no combate armado e cometer crimes, foram seis por cento dos casos detetados em 2010, incluindo 1,5 por cento das vítimas exploradas para mendigar nas ruas, disse o relatório. O relatório diz que houve um pequeno progresso na luta contra o tráfico, com 134 países a aprovarem leis que têm por finalidade a luta contra o crime de tráfico de pessoas. Mas o UNODC disse que as condenações estão de certa forma em processo lento, tendo muitas limitações. Senão veja, dos 132 países analisados ​​no relatório, pelo menos 16 por cento não registou uma única condenação por tráfico de seres humanos entre 2007 e 2010 devido a essas limitações.


Em modo conclusivo, optei por estes três artigos, presentes na Declaração Universal dos Direitos Humanos: Artigo 3.º) Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Artigo 4.º) Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos. Artigo 5.º) Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.

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PEGADAS DIGITAIS

 


Alguns anos atrás conheci um dos meus melhores amigos através do mIRC: Internet Relay Chat client. Confesso que ainda estava um pouco ingénua em relação ao mundo virtual, e arrisquei-me um pouco, mas com a perfeita noção de que mesmo colocando ‘um pé no escuro’, estava sempre a prezar pela minha privacidade, pois usava um nickname que revelasse um pouco de mim, mas não tudo. Era muito contida na informação que dava na plataforma mIRC. Eu lembro-me de pensar na altura, que eu tinha tudo sob o meu controlo, mal eu sabia que aquela realidade virtual, era só a ponta do iceberg. Entretanto fiz boas amizades, posso dizer que fiquei a ganhar com essa nova realidade, à qual estávamos todos ainda a habituar. Nunca tive um computador Desktop, nem portátil, não havia condições financeiras para isso, porém quando se junta a fome com a vontade de comer, arranjei solução para continuar na descoberta daquele mundo fascinante Online ‘On-The-Line’. Ia ao Pelouro da Juventude ou Camara Municipal de Barcelos ou Biblioteca, e ali entregava o meu documento de identidade, para ter acesso de uma hora ou duas horas a usar o computador e assim continuar a descoberta de novos horizontes com novos internautas, e optei pelo HI5, ainda cheguei a namorar através dessa plataforma, que já se chamava de Rede Social, pois ali no HI5 já se usava fotografias e mais informação a nosso respeito, como forma de identificação e distinção entre nós e o vizinho do lado, talvez tenha sido essa a minha primeira pegada digital, pois ainda hoje está disponível alguma info acerca a minha temporada a utilizar o HI5. Eu gosto de cantar e fui angariando alguns fãs no meu grupo de conhecidos e amigos e até desconhecidos também, e estes insistiam para eu aderir ao YouTube. Bom, e assim o fiz, recordo-me que aquele era um mundo novo que me abria as portas para um público mais direcionado ao mundo da música ou a simples curiosos. Lembro-me de ter pensado que estava a perder o controlo que tanto me aprazia manter nas outras plataformas até então. Mas a sede de saber mais, e de descobrir muito mais, e tentar perceber até onde me levaria aquele mundo novo, continuei e fechei os olhos, e lancei-me no escuro , não com um pé, mas com os dois pés desta vez. É tão curioso descobrir que, em pleno ano 2019, na plataforma de busca Google, o meu nome consta em vários sites de música, com milhares de downloads efetuados por desconhecidos no mundo inteiro, da minha voz, em modo mp3, mp4, etc; Agora, penso, «É um Deus nos Acuda, pois perdi o controlo para sempre, a internet engoliu-me por inteira, até aqui era só uma parte ínfima de mim». Decidi abrir um blogue na plataforma Blogger em outubro 2008, e funciona como um diário no qual faço as minhas homenagens aos meus artistas favoritos, filmes, canções, autores, e livros favoritos, e entrevistas que eu dei enquanto cantora, e as fotografias dos festivais de música que fotografei enquanto fotojornalista, e muitas mais coisinhas boas e menos boas, memórias que me fazem sorrir, e outras que me fazem chorar, mas que me recordam pelo que passei na vida, e como cheguei até aqui à pessoa que sou hoje, com orgulho. Se me perguntarem se eu faria tudo igual, se a minha pegada ou pegadas digitais (porque já não é só uma ou duas) pudessem ser apagadas permanentemente, se eu apagaria, e eu por vezes penso que sim, mas outras vezes assumo para mim mesma que foi melhor assim. O mundo conhece a minha voz, o meu rosto está estampado em muitos sites na internet, já tive alguns dissabores por causa disso, já fui rejeitada num emprego devido a ter uma presença acentuada online. A falha de comunicação na Era da Comunicação, dá lugar a vároias ramificações de mal-entendidos, por exemplo, as frases/citações que se publicam em posts nas redes sociais, espoletam mal-entendidos, e a falha de comunicação posterior, pode ser muito prejudicial a vários níveis (social, profissional). E devo admitir, que cancelei o meu Facebook, Twitter, Tumblr, Google+, como forma de evitar visitantes indesejados, que os há, e eu, infelizmente, fui vítima de stalking por parte de alguns internautas indesejados. Stalking é um dos males do mundo virtual. Hoje em dia só tenho o blogue, e instagram, e como escudo de proteção, optei por alterar o meu nome online (nickname) e endereço do blogue, várias vezes ao longo dos meus 38 anos de idade, pois prefiro não ser facilmente detetável por uma possível entidade patronal, ou visitantes indesejados, e evitar assim ser vigiada ou observada por olhos que me podem prejudicar de uma forma ou de outra. Eu uso o blogue e instagram como veículo de expor a minha opinião ou angariar algum tipo de ajuda para várias organizações ajuda a crianças (Unicef, Save the Children, etc;). Sinto que tenho boas pegadas digitais, e por vezes abandono a internet durante um mês ou dois meses, para sentir que ainda consigo ter controlo sob o meu cérebro, e que consigo estar sem olhar para o ecrã do telemóvel a ver notificações, ou comentários no blogue, mensagens chat, etc; Desde de manhã à noite, eu não abro mão de ter música na aplicação App música Youtube com as minhas playlists, para eu cantarolar e dançar enquanto faço as minhas tarefas diárias em casa e quando vou ao parque fazer ginástica ou vou no autocarro. E gosto de saber que consigo apreciar um cair de uma folha da árvore, um pombo na rua à procura de uma migalha, ou como o vento abana as árvores em dias ventosos, e as ondas do mar calmo ou zangado, um sorriso de uma criança que vai no autocarro no colo de sua mãe. Aprecio os detalhes mais belos e significativos da vida e consigo estar offline e ver um bom filme e estar online e não permitir que isso me controle a mim. Defini prioridades na minha vida. Menos é mais. Menos quantidade, e mais qualidade, e por isso sigo no Instagram, pessoas e causas nobres e interessantes, e que me ensinem algo de novo e aprazível, e quem me segue no instagram e blogue, pode se sentir também satisfeito, pois também sei que posso ensinar coisas boas, muito boas, bons filmes, bons livros, e boa música, e uma boa conversa. Gosto de estar online, mas já não me sinto tão deslumbrada, como me sentia outrora. A vida offline tem mais interesse para mim.

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